Womb Twin - Portugal

Gémeos singulares são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória.

HAVERÁ PESSOAS GÉMEAS NASCIDAS SINGULARES QUE SOFREM TODA A SUA VIDA, COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO INICIAL?

sexta-feira, 18 de março de 2011

O Principezinho

“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos”. Diz a raposa ao Principezinho. A história O Principezinho foi escrita por um homem, Antoine de Saint- Exupéry que, desde criança, nunca se sentiu compreendido. Em pequeno o seu maior desejo era poder voar. Quando cresceu tornou-se aviador, voava por cima de montes e vales, oceanos e desertos; ele queria ver os problemas dos homens de cima, de uma perspectiva diferente; e foi no ar que desapareceu para sempre. A partir desta perspectiva do alto o escritor criou uma das obras literárias mais divulgadas da história: "O Principezinho", foi traduzido para mais de 200 línguas e dialectos diferentes, tendo tido centenas de edições, em livro, em banda desenhada e em filme. A história conta as aventuras de um rapazinho que, vindo de um planeta distante, aparece ao autor enquanto este tentava sobreviver a um grave acidente: encontrava-se perdido no deserto com o seu avião avariado. Este rapaz fala-lhe do que viveu e observou até encontrar o autor, da sua busca de compreender os adultos, e de entender qual a melhor maneira de proteger o seu planeta onde deixara a sua flor tão amada. Tendo encontrado o que procurava, o principezinho precisa de voltar para o seu planeta, optando pela morte para poder partir. No dia seguinte a ter sido picado mortalmente pela sua amiga serpente o autor é surpreendido pelo desaparecimento também do seu pequeno corpo. Profundamente tocado por aquele encontro, o autor relata uma despedida plena de emoção. A recordação do seu pequeno principe jamais o deixará... É uma história que fala do vínculo de amor e, essencialmente, de saudade.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Relato de um menino

Há pouco tempo uma amiga brasileira enviou-me este relato a propósito do que lhe contou o filho de uma amiga dela, de três anos:
"Naquele dia ele ficou dizendo que estava com saudades da Dália...
-Mas quem é Dália, filho?
- Minha prima.
-É? Filha de quem?
-Sua, mamãe. Ela era minha irmã. Ela morreu.
-É mesmo, filho? Quando?
-Quando eu era muito pequenininho. A gente brincava de ficar nadando no mar. Aí eu fui crescendo ela foi ficando pequenininha, bem velhinha e morreu. Agora ela mora dentro do meu coração, que nem a vovó."

terça-feira, 8 de março de 2011

Cumplicidade, amor e saudade

Jemima Pompeu, do blog "vizinhos de útero" fez este video para comemorar o primeiro aniversário do seu blog. São testemunhos de vários pares de gémeos sobre a sua relação gemelar. A cumplicidade, a proximidade a dificuldade na separação, o amor fraternal são temas recorrentes.


"Quando alguém perde um irmão gémeo não perde apenas o indivíduo que morreu, perde também aquele tipo de relação que, nunca poderá voltar a ter com mais ninguém, por muito que venha a amar outra pessoa." "Quando alguém perde um irmão gémeo, perde uma parte do que ele próprio é."



Obstacles: Stories of Twin Loss (Trailer 2) from Tim Labonte on Vimeo.

QUEM NÃO CHEGOU A CONHECER O SEU IRMÃO OU IRMÃ GÉMEO NA VIDA DEPOIS DO NASCIMENTO, NASCE À PROCURA DESSE AMOR, DESSA CUMPLICIDADE... NASCE COM SAUDADES E Á PROCURA DE SI PRÓPRIO!

ver também o poema de Mário de Sá Carneiro

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Não me deixes...



Finalmente consigo ver
que estás mesmo aqui ao meu lado

Eu não me pertenço
porque eu fui re-criado

Por favor não desistas de mim
eu preciso desesperadamente de Ti

Eu não sou (m)eu próprio
eu fui re-feito

Por favor não me deixes
eu preciso desesperadamente de Ti

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

"Eu é um outro"

Arthur Rimbaud, poeta francês do final do séc. XIX, chamado por Victor Hugo "o pequeno Shakespeare", escreveu a maior parte da sua obra entre os 15 e os 21 anos. Numa das sua cartas a Paul Demeny ele afirma: "Je est un autre", a propósito da definição de poeta. Também Fernando Pessoa, com todos os seus heterónimos nos descreve todos os outros que "ele era".

No seu poema "Mes petites amoureuses" (1871)(a tradução é minha, vale o que vale...) Rimbaud faz uma declaração de amor cheia de sadismo, ódio e mesmo repulsa para com aqueles seus amores que "tanto mal lhe fizeram"... e que nós poderíamos interpretar como os seus pequenos companheiros de início de vida que partiram contra sua vontade e o deixaram nesta agonia.









(ver aqui outro post sobre resentimento e raiva)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

"era bom, mas acabou-se"



ecografia 4D às 25 semanas; bebés com 28cm.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Amor Maior

O gémeo nascido singular ama o Amor Maior, e o amor platónico é deslumbrante, por ser alimentado pela ilusão.

O gémeo sobrevivente busca durante toda a sua vida ardentemente aquilo que conheceu na origem, na relação com o seu companheiro inicial.

Essa relação pode ter tido contornos tão diferentes, como diferentes são todos os seres humanos. Nem todos os sobreviventes de gestações gemelares vivem fundamentalmente obcecados pela procura do Amor que os uniu. Os outros sentimentos como o abandono, a tristeza ou a raiva, ao serem recordados lá do fundo das suas consciências, podem vir a influenciar profundamente as suas vidas.

O amor primordial, delicado e sublime que os dois pequenos fetos experimentam é recordado, como um inefável sentimento de amor puro, uma relação harmoniosa e perfeita, provida de uma sublime beleza. Este sentimento de perfeição é muitas vezes reencenado como sendo, o que hoje é comum chamarmos, o amor platónico, ou o amor a Deus, afinal, uma variante do amor platónico. Ficino, o filósofo que traduziu para o latim a obra de Platão, dizia que “o amor platónico é o desejo da beleza, enquanto representação do divino".

No útero, o novo ser humano em desenvolvimento é, antes de mais, um ser espiritual, um ser que está em vias de encarnar, cuja ligação ao mundo invisível é mais forte que a ligação ao mundo terreno. Dois fetos juntos no útero são dois seres essencialmente espirituais, ligados entre si. Mas o pequeno corpo em desenvolvimento, que já sente e já guarda memória, é um instrumento da dimensão espiritual. A sexualidade, sendo uma forma de expressão do prazer corporal, é também uma manifestação do prazer resultante da união espiritual entre ambos os fetos.

Nas relações amorosas, o sobrevivente de gestações gemelares adulto, traumatizado pela falta do seu saudoso companheiro de viagem, pode procurar reencenar a experiência espiritual por que tanto anseia, tanto através da recusa determinante dos prazeres carnais (mantendo as suas relações amorosas ao nível espiritual) como através da vivência intensa da relação sexual por si só (podendo mesmo desenvolver uma obsessão ou dependência pelo prazer sexual).
(ver também o contacto corporal com o outro)