Womb Twin - Portugal

Gémeos singulares são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória.

HAVERÁ PESSOAS GÉMEAS NASCIDAS SINGULARES QUE SOFREM TODA A SUA VIDA, COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO INICIAL?

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Memória corporal


Pierre-Yves Diacon autor e interprete desta peça de dança contemporânea, é gémeo sobrevivente. Aqui "fala" a sua memória corporal... alguém conhece isto???




"Saber desde sempre que tive um gémeo deu-me um chão onde firmar os pés; suavisou uma ferida profunda, mas claro, não a curou. Canalizou uma obsessão; deu forma, identidade e reconhecimento à exaltação dentro de mim; revelou-me aos meus próprios sentimentos; deu um melhor-amigo cá dentro.

No meu caso, sinto mais melancolia do que depressão e culpa, embora esses dois aspectos me façam uma visita de tempos em tempos, sob diversas formas e disfarces. Com melancolia quero dizer: uma tristeza profunda e tranquila como um oceano onde se pode nadar, mas onde podemos afundar-nos se ficarmos demasiado tristes..."

Pierre-Yves Diacon

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Gémeo reencontrado

Alfred Austerman é psicólogo, naturopata, com várias formações das terapias corporais e trabalha há muito tempo com gémeos sobreviventes. Facilita regularmente Workshops específicos nesta matéria em Berlim e Paris.
O trabalho realizado nestes Workshops de fim de semana recorre a métodos diferentes da constelação familiar, trauma-terapia energética, terapia corporal biodinâmica e rituais xamânicos, conforme o que é necessário. Uma outra das suas técnicas de trabalho é o Aqua-release. Num ambiente protegido e respeitoso dá-se espaço para a cura.



"Chega um momento que é preciso deixar ir, soltar-se do outro, por exemplo, num ritual de despedida, um funeral. Isto é necessário para que o choque sofrerido quando o outro desapareceu possa ser curado. Para poderem sentir-se inteiros na vida quotidiana sem o outro e sem sentimentos de culpa em relação ao outro, é necessário fazer um processo de cura aos níveis corporal e energético. O vazio energético, causado pela perda do outro pode assim sarar."

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Amor ex-gemelar...

Este video fala por si. Uma jovem faz uma declaração de amor à sua amiga, amor fraterno, amor gemelar como ela tão bem reconhece.
Para quem não sabe reconhecer a diferença esta declaração, cheia de ternura e inocência, confunde.
É uma fronteira delicada, mas não me parece que se trate aqui de amor homossexual. A minha hipótese é de que a menina que criou o vídeo seja uma gémea sobrevivente que está a preencher o espaço deixado pela sua irmã gémea com esta amizade. Será essa a razão que a leva a exacerbar o sentimento de pertença, e a faz sentir um amor tão perfeito e sublime pela amiga?
Vale a pena comparar com o post Gémea para todo o sempre onde uma jovem que perdeu a sua irmã gémea descreve os seu sentimentos.
Até a letra da música tem a ver com a perda!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O advento da epigenética

Nos passados dias 2 e 3 de Janeiro a RTP2 passou os dois episódios do documentário "Twins" da BBC. O documentário, que resulta de um estudo cientifico envolvendo 10 mil gémeos, questiona aquilo que constrói a nossa identidade.
A partir do estudo de gémeos idênticos os cientistas observam o que faz com que esses irmãos gémeos tenham desenvolvimentos diferentes, já que a sua informação genética é exactamente igual. O estudo consiste em entender de que modo eles estão destinados a ter vidas idênticas ou até que ponto o meio ambiente pode ligar e desligar determinada informação genética e alterar os seus percursos de vida.

Devido à possibilidade de acompanhar com tanto pormenor a gravidez, através das ecografias 3D, os investigadores conhecem cada vez melhor o que se passa durante a vida intra-uterina. Hoje em dia eles sabem que, sendo um espaço pequeno, o útero oferece um mundo de possibilidades, e que os gémeos apesar de partilharem esse mundo podem ter vivências muito diferentes, e consequentemente desenvolvimentos muito diferentes mesmo antes de nascerem.

A epigenética é uma área de estudo que se debruça sobre a influência que as experiências de vida e o ambiente em que uma pessoa se move exercem sobre a disposição genética desse indivíduo.
É o perfil epigenético que é diferente nos gémeos idênticos, conforme o que vivem a expressão dos seus genes é modificada por agentes que os ligam ou desligam.
A Epigenética é tão revolucionária que está a mudar o modo como os cientistas vêem as mais conhecidas e debilitantes doenças. O Prof. David Leslie, geneticista que estuda há longos anos o genoma humano, afirma que depois de estudar os gémeos se tornou um não-geneticista pois compreendeu que não são os genes que nos trazem as doenças mas sim a interacção do ambiente com os genes. Essa interacção é que é importante.

E eu pergunto: se o ambiente vivido dentro do útero envolve por exemplo a morte de um outro embrião gémeo, não podemos esperar do sobrevivente uma profunda e elementar modificação epigenética do seu genoma original? E se essa modificação se deu devido a uma ocorrência externa, não será ela reversível?

Entre os vários casos apresentados destaco ainda a observação da sincronicidade a nível corporal entre gémeos idêncicos. É relatada a história de dois irmãos idênticos que apesar de terem optado por estilos de vida opostos (um alimentava-se de modo muito saudável e era fisicamente activo e o outro era sedentário e comia "mal") ambos sofreram de problemas de coração no mesmo local e do mesmo tipo. Como será isto possível? Como este documentário não inclui a dinâmica psicológica a questão fica no ar. No entanto eu arrisco: estarão eles ligados a nível emocional a ponto de o irmão saudável ter sido influenciado pelo irmão doente a, por amor, desenvolver a mesma doença?

Aqui uma explicação clara do que é a epigenética (apesar de ficar aqui esquecida a vivência pré-natal):

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Compensando vazios

Saíu na revista Pais & Filhos de Janeiro 2010 um artigo sobre a temática dos gémeos sobreviventes.

Clicar sobre as imagens para ler o texto.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Wombtwin day 2009

Hoje celebra-se mais um dia anual do Gémeo Sobrevivente (explicação aqui) e este poema anónimo foi enviado através da Newsletter da nossa Associação mãe, a Wombtwin.com para o comemorar. Disfrutem!

MOIETY

Halfness is a divided soul.
I walk on a one-legged limp;
I see one-eyed with no depth of vision;
I cannot tell how near you are to me.

One side is emptiness and death;
An unslaked thirst; a mirage of completion:
A cracked box, empty and crumbling into dust-
What was there was something: nothing now.

The other side is yearning and pain;
Tears for two, and anguish for more than myself.
An empty chair at the feast of life.
My voice is stilled by the sheer silence of you.

How can I ever find you if I let you go?
Will we both be forever dying,
Hung in a hammock over the abyss,
Clinging to our half-life to be together?

Come to me now and we will say farewell:
Be with me for one last, brief moment!
Let us say how much we love;
Let us share just once, just once - now go!

The treasure chest stands between us.
My life, my voice, my strength, is there
Locked away for you for many years:
I want to grow, even without you -

I may.

And now I will.

FRACÇÃO

Metade é uma alma dividida. Ando coxo, numa perna; Vejo só com um olho sem visão de profundidade; Não sei o quanto estás perto de mim.
De um lado é o vazio e a morte; Uma sede acesa; uma miragem do todo: Uma caixa partida, vazia a desfazer-se em pó. O que lá havia era algo: já nada é agora.
O outro lado é saudade e dor; Lágrimas de dois, e angústia por mais que só eu. Uma cadeira vazia no banquete da vida. Minha voz calada pelo teu absoluto silêncio.
Como poderei encontrar-te se te deixar ir? Será que vamos ambos ficar ambos a morrer para sempre, Pendurados numa rede sobre o abismo, Apegados à nossa meia-vida para estarmos juntos?
Vem ter comigo agora e vamos dizer adeus: Fica comigo por mais um breve momento! Vamos dizer o quanto nos amamos; Vamos partilhar só mais uma vez, só uma - agora vai!
Temos um tesouro entre nós os dois. A minha vida, a minha voz, a minha força estão lá. Trancadas para ti há muitos anos: Eu quero crescer, mesmo sem ti --
Eu posso-o, E agora eu vou…

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Gémea siamesa sobrevivente

No dia 16 de Outubro deste ano o jornal britânico mail online publicou uma notícia sobre Holly Reich, única sobrevivente da primeira operação do género - a separação de gémeas siamesas - realizada em 1985 pelo Professor Spitz, no Hospital de Great Ormond Street em Londres. Holly relata como foi tomando consciência de que tinha tido uma gémea siamesa, como lida com a perda da sua irmã, e descreve como se sente como sobrevivente.

"Sinto que me falta uma parte de mim própria.

Tenho sempre uma sensação de vazio, é o lugar onde ela devia estar.

Sentia-me triste pela morte da minha irmã e uma sombra de culpa por ter sobrevivido eu e não ela.

Houve uma fase em que tive uma amiga imaginária secreta. Olhando para trás acho que era a minha irmã Carly."

Todos os gémeos que perdem o seu "outro self" no útero ou pouco depois do nascimento sentem essa perda como a Holly descreve. TODOS os gémeos estão ligados... (comentário ao artigo)

A afirmação de Holly que me parece inspiradora para nós é:

Demorei muito tempo para aceitar as circunstâncias do meu nascimento e para me orgulhar delas. Mas foram essas circunstâncias que fizeram de mim aquilo que eu sou.

Notícia retirada do blog wombtwin survivors