Womb Twin - Portugal

Gémeos singulares são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória.

HAVERÁ PESSOAS GÉMEAS NASCIDAS SINGULARES QUE SOFREM TODA A SUA VIDA, COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO INICIAL?

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terça-feira, 8 de março de 2011

Cumplicidade, amor e saudade

Jemima Pompeu, do blog "vizinhos de útero" fez este video para comemorar o primeiro aniversário do seu blog. São testemunhos de vários pares de gémeos sobre a sua relação gemelar. A cumplicidade, a proximidade a dificuldade na separação, o amor fraternal são temas recorrentes.


"Quando alguém perde um irmão gémeo não perde apenas o indivíduo que morreu, perde também aquele tipo de relação que, nunca poderá voltar a ter com mais ninguém, por muito que venha a amar outra pessoa." "Quando alguém perde um irmão gémeo, perde uma parte do que ele próprio é."



Obstacles: Stories of Twin Loss (Trailer 2) from Tim Labonte on Vimeo.

QUEM NÃO CHEGOU A CONHECER O SEU IRMÃO OU IRMÃ GÉMEO NA VIDA DEPOIS DO NASCIMENTO, NASCE À PROCURA DESSE AMOR, DESSA CUMPLICIDADE... NASCE COM SAUDADES E Á PROCURA DE SI PRÓPRIO!

ver também o poema de Mário de Sá Carneiro

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Grito VII - Ninguém me pode ajudar...

Ninguém pode substituir nem compensar esta falta que trago enraizada, do pequeno embrião que me acompanhou no início, quando eu também era apenas um embrião; que se parecia comigo e tinha o meu ADN.

Durante muitos anos procurei quem pudesse substituir o meu companheiro de início de vida – a minha mãe? um amigo especial? - mas agora já não chega. Agora sei que não és tu quem eu procuro, e que não podes ajudar-me. Mesmo estando lá para mim como um irmão, como um amigo muito querido, mesmo que tentes fazer de conta que és aquele por quem eu sofro, o meu pequeno companheiro inicial, tudo isso será apenas uma ilusão que, mais cedo ou mais tarde me levará de novo ao sofrimento. E mesmo se encenarmos a confiança, a profunda ligação, a fusão, da alma e do corpo, mesmo assim não será igual àquilo que eu recordo tão vivamente do meu início, e que tantas saudades me deixa.
Preciso de me libertar de substitutos para compreender e entender aquilo que realmente sinto, o que é mesmo difícil... porque, dentro do meu coração, me sinto tão só e assustado.
Contra esta solidão ninguém pode fazer nada, só eu próprio a poderei preencher com as minhas memórias e com tudo aquilo que eu sou.

Nunca me poderei libertar desta minha história antiga, isso nunca poderá acontecer, nunca, ela pertence-me, faz parte de mim, é o que eu sou. Mas se poder olhá-la de frente talvez fique mais aliviado. Se entender o que se passa comigo posso desculpar-me de todo este sofrimento, posso tentar esquecer a dor e guardar apenas a oportunidade de não ter sido gerado sozinho.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Amor ex-gemelar...

Este video fala por si. Uma jovem faz uma declaração de amor à sua amiga, amor fraterno, amor gemelar como ela tão bem reconhece.
Para quem não sabe reconhecer a diferença esta declaração, cheia de ternura e inocência, confunde.
É uma fronteira delicada, mas não me parece que se trate aqui de amor homossexual. A minha hipótese é de que a menina que criou o vídeo seja uma gémea sobrevivente que está a preencher o espaço deixado pela sua irmã gémea com esta amizade. Será essa a razão que a leva a exacerbar o sentimento de pertença, e a faz sentir um amor tão perfeito e sublime pela amiga?
Vale a pena comparar com o post Gémea para todo o sempre onde uma jovem que perdeu a sua irmã gémea descreve os seu sentimentos.
Até a letra da música tem a ver com a perda!

sábado, 3 de janeiro de 2009

Saudade

Uma das maiores aflições que os gémeos sobreviventes relatam é a Saudade. Quando direccionada no sentido construtivo, é ela que faz escrever poesia, compor músicas e cantá-las com emoção, pintar quadros, imaginar histórias de amores perdidos e reencontros (quantos fadistas não terão tido esta fatalidade...).
Mas a saudade também pode ter um poder imenso no sentido destrutivo, levando as pessoas à desorientação, à tristeza, à depressão, e depois aos vícios como a droga e outros.
É ela também muitas vezes a responsável por dificuldades de relacionamento, ou por terríveis mal entendidos nas relações, amorosas ou não-amorosas.
Na esperança (ou com medo) de reencontrar o irmão perdido no seu par, repete-se com ele a história que se viveu (ou não viveu) naquela fase tão recôndita mas tão decisiva da vida! Foi uma história de amor e de dor, essa é a bitola trazida para o presente.
E é tão complicada a cura desta dor, porque ela é apetecível - é lá que está a "querida metade". Para a cura ter uma chance de ser eficaz é preciso voltar lá, sentir, compreender, perdoar e depois esquecer.

A Saudade, de tão doce, faz doer o coração.
(bonecas de Paula Estorninho)