Womb Twin - Portugal

Gémeos singulares são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória.

HAVERÁ PESSOAS GÉMEAS NASCIDAS SINGULARES QUE SOFREM TODA A SUA VIDA, COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO INICIAL?

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Grito VIII - O regresso ao todo

Algures no meu passado eu alternava entre estados mentais muito, muito depressivos e outros de grande entusiasmo, euforia mesmo. Felizmente para mim, os estados de entusiasmo eram muito mais frequentes do que os depressivos. Durante estes últimos anos experimentei diferentes "terapias", inicialmente por mera curiosidade. A técnica que desencadeou todo o meu processo de cura foram as constelações familiares. Apercebi-me como as nossas vivências passadas se reflectem na nossa saúde, e como os problemas emocionais se reflectem no nosso estado actual. E tomei consciência de alguns acontecimentos que de alguma forma deixaram marca no meu ser emocional. Foi então que conheci a wombtwin_portugal.
Quando me falaram da hipótese de eu ter tido um gémeo durante a minha gestação, no início senti que não era essa a minha história. Mas algumas semanas mais tarde, de alguma forma, aquilo começou a fazer sentido: ter perdido um irmão explicaria a alternância emocional; a sensação de divisão interna; a sensação de vazio absoluto que algumas vezes sentia; o modo como eu me sentia confortável quando eu estava na minha cama, acordada, mas sem vontade de me levantar (era tão agradável e acolhedor estar assim, só na minha cama, com os cobertores por cima, deixando apenas o nariz de fora); e o desejo esmagador de partilhar esse sentimento com um ursinho de peluche, sim, um urso de peluche ... eu sentia-me ridícula. E um dia tudo fez sentido. A presença do meu gémeo surgiu na ltima vez que participei numa sessão de constelações familiares. E de repente tudo isso desapareceu, essa divisão, esse vazio. O Amor engoliu-nos a ambos e juntou-nos. E nós tornámo-nos Um Só, e finalmente passei a sentir-me inteira.
Daquele momento em diante tudo mudou. Mas foi uma mudança bastante subtil que não se vê de fora. Mas aconteceu. E agora, depois de ter passado por um divórcio, eu sinto-me inteira, em harmonia comigo mesma, numa absoluta paz de
espírito. E durante os difíceis momentos que se seguiram ao meu divórcio, eu senti realmente que havia alguém a olhar por mim. Poderia ser apenas a memória celular? Talvez :-)
Mas o que importa é que eu sei que não estou sozinha. De alguma forma eu sou uma pessoa privilegiada: eu não preciso de contacto físico com meu irmão gémeo. Porque nós somos Um.
(...)
O meu irmão gémeo e eu somos Um, não há mais separação nem divisão, nem mesmo o sentimento de sobrevivência. Estamos juntos :-)
(...)

McMendes

Traduzido do inglês de http://wombtwin-ie.blogspot.com/2010/01/re-birthing.html#comments

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Conferência Wombtwin.com 2010

Realizou-se no passado fim-de-semana em Londres mais uma, a terceira, Conferência Anual da Wombtwin.com. Os presentes, uma vez mais poucos mas bons, vindos de diferentes países desde a Hungria à Alemanha, da França à Irlanda e, claro, a Portugal e à Inglaterra, aproveitaram da oportunidade única de convivência e partilha excepcionais, que só existe entre pessoas com a mesma história original.
Houve tempo para receber informação, para falar de coisas sérias, para rir e conversar, e para trabalhar no processo interior de cada um.

Na sexta-feira ao fim da tarde a Althea Hayton abriu o encontro apresentando o seu projecto e em seguida foi a minha vez de falar sobre como ajudar os bebés e crianças gémeas singulares, e apresentar o meu livro para crianças ME and WE, desenvolvido a partir daquele que escrevi com a minha filha Eu e a minha Gémea (ver inf. à esquerda). No sábado foi apresentado um trabalho de investigação realizado na Hungria baseado num questionário parecido com o que Althea desenvolve; o psicólogo alemão Alfred Austermann falou sobre o Trauma e Cura para gémeos singulares; falou-se depois sobre o tema da sexualidade e ainda sobre o conceito de gemelaridade. E no domingo começou-se por um ritual individual de cura de cada participante para depois se passar às questões mais concretas relacionadas com a vida da Associação Wombtin.com em que se fizeram balanços, contas e planos para o futuro.

O que eu trouxe de mais precioso deste encontro wombtwin.com, para além da partilha extremamente sincera e profunda com todos os presentes, foi o seguinte entendimento do que é a identidade gemelar:


Um gémeo é para sempre um indivíduo dual (dois num corpo); há uma presença constante do outro em cada um dos gémeos: Eu não sou apenas eu, eu sou nós em simultâneo, eu sou aquilo que eu sou mais aquilo que tu és.

Os gémeos que nascem singulares são assim, e do mesmo modo, duais, sendo que o outro não está (nem nunca esteve) presente neste mundo: Eu não sou apenas eu, eu sou nós em simultâneo, eu sou aquilo que eu sou (ser terreno) mais aquilo que tu és (ser espiritual).

Qualquer intenção de separação resulta em desastre, e em desintegração! Só a integração, a fusão das duas entidades originais numa só, é que pode ajudar!
Resumindo:
O gémeo que nasceu sozinho, ao tomar consciência da sua história de gemelaridade, precisa de abraçar o seu gémeo "perdido" trazendo-o para a sua vida, para aceitar, integrar e principalmente celebrar a sua dualidade.
Como afirma Tchan Montmory, uma das participantes: o gémeo singular é a manifestação corporizada da ilusão da separação. Porque de facto Somos Todos UM.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O Perdão é uma solução...

Não há futuro no passado!



Está na hora de libertar, desistir, largar, soltar, deixar ir, confiar...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Grito VII - Ninguém me pode ajudar...

Ninguém pode substituir nem compensar esta falta que trago enraizada, do pequeno embrião que me acompanhou no início, quando eu também era apenas um embrião; que se parecia comigo e tinha o meu ADN.

Durante muitos anos procurei quem pudesse substituir o meu companheiro de início de vida – a minha mãe? um amigo especial? - mas agora já não chega. Agora sei que não és tu quem eu procuro, e que não podes ajudar-me. Mesmo estando lá para mim como um irmão, como um amigo muito querido, mesmo que tentes fazer de conta que és aquele por quem eu sofro, o meu pequeno companheiro inicial, tudo isso será apenas uma ilusão que, mais cedo ou mais tarde me levará de novo ao sofrimento. E mesmo se encenarmos a confiança, a profunda ligação, a fusão, da alma e do corpo, mesmo assim não será igual àquilo que eu recordo tão vivamente do meu início, e que tantas saudades me deixa.
Preciso de me libertar de substitutos para compreender e entender aquilo que realmente sinto, o que é mesmo difícil... porque, dentro do meu coração, me sinto tão só e assustado.
Contra esta solidão ninguém pode fazer nada, só eu próprio a poderei preencher com as minhas memórias e com tudo aquilo que eu sou.

Nunca me poderei libertar desta minha história antiga, isso nunca poderá acontecer, nunca, ela pertence-me, faz parte de mim, é o que eu sou. Mas se poder olhá-la de frente talvez fique mais aliviado. Se entender o que se passa comigo posso desculpar-me de todo este sofrimento, posso tentar esquecer a dor e guardar apenas a oportunidade de não ter sido gerado sozinho.

Grito VI - Estou tão triste...

O meu coração sente-se infinitamente triste, abandonado, sozinho e assustado. Estou de luto pelo pequeno embrião que me acompanhou no início quando eu também era apenas um embrião; que se parecia comigo e tinha o meu ADN.

Cada vez que estou na mó de cima vem de novo a culpa, que não me permite ser bem sucedido, e feliz. Porque eu não me consigo perdoar por ter vivido e ele não.
É como se eu precisasse dessa dor antiga, como se quisesse sofrê-la para me reencontrar com a minha outra metade.
E é fácil relembrá-la, basta-me imaginar que alguém que eu amo me poderia deixar, para cair de novo naquela aflição, que eu mal a consigo suportar, mas que me conduz a um terreno conhecido. É lá que me sinto novamente perto do meu querido amigo do coração. Por isso volto sempre lá, à minha dor, regularmente, sempre outra vez.

Nunca me poderei libertar desta minha história antiga, isso nunca poderá acontecer, nunca, ela pertence-me, faz parte de mim, é o que eu sou. Mas se poder olhá-la de frente talvez fique mais aliviado. Se entender o que se passa comigo posso desculpar-me de todo este sofrimento, posso tentar esquecer a dor e guardar apenas a oportunidade de não ter sido gerado sozinho.

Grito V - Olhem para mim!!!

Não suporto que não me vejam, que não me adorem, que não me admirem. Porque assim não vêem, não amam nem admiram o pequeno embrião que me acompanhou no início, quando eu também era apenas um embrião; que se parecia comigo e tinha o meu ADN.

Para vê-lo, para ver a minha outra metade, só preciso de olhar-me ao espelho. Eu e minha imagem no espelho somos inseparáveis, juntos somos um só, nós os dois. Amo-o e admiro-o tanto que quero que todos saibam que ele é fantástico (isto é, que eu sou fantástico). Quando os meus amigos não me acham o máximo, se não me sinto querido e protegido, vem aquele peso, aquela vergonha, como se eu não tivesse o direito de viver. Porque no meu íntimo eu não me conformo de não ter conseguido ficar com o meu querido Outro Eu. É um terrível sentimento de culpa, mas também de medo, de pânico mesmo, de não conseguir sobreviver sozinho; por vezes preferia mesmo estar morto como a minha "outra metade".

Nunca me poderei libertar desta minha história antiga, isso nunca poderá acontecer, nunca, ela pertence-me, faz parte de mim, é o que eu sou. Mas se poder olhá-la de frente talvez fique mais aliviado. Se entender o que se passa comigo posso desculpar-me de todo este sofrimento, posso tentar esquecer a dor e guardar apenas a oportunidade de não ter sido gerado sozinho.

domingo, 18 de julho de 2010

3º Aniversário da WombTwin.com

Comemorou-se ontem o 3º Aniversário da Associação WombTwin. Parabéns!!!

A história da nossa associação mãe começa em 2002, quando Althea Hayton se apercebe de que durante a sua gestação havia mais alguém com ela. Desde então, no seu caminho de auto-descoberta Althea aprende muito acerca das suas próprias reacções psicológicas resultantes da perda pré-natal de um embrião, seu gémeo. Começando a questionar-se, em primeiro lugar, se haveriam outras pessoas que como ela perderam embriões gémeos antes de nascer, e depois se essas pessoas também teriam experiências e vivências semelhantes à sua, Althea dá deste modo início à sua pesquisa.

Em 2003 cria o primeiro de muitos questionários, que coloca on-line num site criado para o efeito, através do qual começa a trocar e-mails com gémeos nascidos singulares de todo o mundo. Depois apercebe-se que por cada par de gémeos existem dez gémeos nascidos sozinhos (ou seja, pessoas cujo irmão, irmã ou irmãos gémeos morreram durante a gravidez ou próximo do nascimento). A frequência com que ocorre esta situação dá-lhe que pensar, de modo que Althea decide procurar formas de identificar e ajudar essas pessoas - porque ela sabe que elas precisam de ajuda; isto torna-se a missão da sua vida.

Em Abril de 2007, Althea recebe um prémio da Unltd. Millennium, em Londres, que no dia 17 de julho de 2007 lhe permite criar a associação sem fins lucrativos WombTwin.com .
Um ano depois, em Junho de 2008, realiza-se em Londres a primeira conferência WombTwin.
Aquando do segundo aniversário em Julho de 2009, é publicada uma antologia de artigos sobre gémeos singulares, e uma colecção de histórias escritas pelos próprios gémeos sobreviventes.
Althea atinge por essa altura o número de 500 questionários preenchidos por pessoas dos quatro cantos do mundo, que entrega ao Departamento de Estatística da sua Universidade local para serem analisados. Com base na análise dessa pesquisa publica então o perfil psicológico do gémeo nascido singular. Ainda nesse ano em Outubro tem lugar em St Albans, Londres, o primeiro evento Open Space e Conferência WombTwin.
Para continuar a difundir a sua mensagem de cura Althea está agora a escrever um livro onde vai registrar o resultado dos últimos sete anos que dedicou à sua investigação, utilizando toda
a informação que retirou de histórias e questionários que lhe foram sendo enviados por email de centenas de pessoas que a contactáram directamente. Com o título "Womb Twin Survivors: The Lost Twin in the dream of the Womb", este livro será publicado pela Wren Publicações a 4 de Janeiro de 2011.

Actualmente a Associação WombTwin.com conta com 23 membros europeus, e 60 associados residentes noutras partes do mundo, principalmente nos E.U.A. William Bingley, em tempos Diretor Jurídico da MIND, ele mesmo também um gémeo, é patrono da WombTwin.
A presença da WombTwin na web está a expandir-se cada vez mais: há um novo site, criado por Kevin Beynon, onde é possível aceder a várias páginas editadas por pessoas por todo o mundo. A newsletter GEMINI VOICES, entregue por e-mail para 172 pessoas por mês, contém as últimas notícias de eventos e desenvolvimentos da associação e também do projecto de Althea Hayton. A WombTwin.com Ltd tem uma página no Facebook, e há também uma página no Twitter. Foi criado um fórum no Yahoo especialmente para os membros WombTwin. O site tem uma loja que vende artigos com o logótipo WombTwin, hoje amplamente reconhecido como um sinal de que a informação, acerca do que são e como é possível dar apoio e ajudar os gémeos singulares, está disponível.

Os gémeos nascidos singulares já não precisam de sentir-se diferentes, sozinhos e incompreendidos. Há ajuda disponível. Acreditem: -Não estão loucos!, são simplesmente normais sobreviventes de gravidezes gemelares!

(relato gentilmente cedido por Althea Hayton)