Womb Twin - Portugal

Gémeos singulares são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória.

HAVERÁ PESSOAS GÉMEAS NASCIDAS SINGULARES QUE SOFREM TODA A SUA VIDA, COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO INICIAL?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A obra de Joanna Wilheim

No passado mês de Julho a Drª Joanna Wilheim, uma das pioneiras no estudo de gémeos sobreviventes (desde 1983) e Presidente da Associação Brasileira para o Estudo do Psiquismo Pré- e Peri-Natal, deu em Paris uma palestra com o título “Sindrome do Sobrevivente de Concepção Gemelar” no 1º Seminário internacional Transdisciplinar Clínica Pesquisa sobre o Bebé, do Instituto Langage.

Já em 2005 tinha apresentado as suas pesquisas e conclusões à Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo onde, a partir sua da experiência clínica de vinte e cinco anos, e de todo o seu trabalho de investigação, realçava “a vastidão e extrema importância das repercussões psíquicas das experiências traumáticas pré-natais.”

As premissas básicas desta sua investigação são para mim, que trabalho em terapia psico-corporal com bebés, muito valiosas e determinantes. Joanna Wilheim enuncia-as resumidamente deste modo:

- Todo o processo de concepção biológica, desde a formação das nossas duas células germinativas básicas – espermatozóide e óvulo –, é registado numa proto-mente através de uma memória celular.

- Tais inscrições produzem uma matriz básica inconsciente que fornece a matéria-prima para a produção das nossas fantasias inconscientes.

Assim, as fantasias são memórias.

- Existe uma relação efectiva, absolutamente arcaica e primordial entre o nosso soma e a nossa psique.

- Há um trauma na altura da concepção.

Joanna Wilheim enfatiza a importância do reconhecimento dos vestígios deixados na mente pelos acontecimentos traumáticos pré-natais, para uma satisfatória condução do processo terapêutico analítico, e chama a atenção para a necessidade de a psicanálise voltar a sua atenção para a síndrome do sobrevivente de concepções gemelares, considerando que esta estaria na raiz de muitas psicopatologias.

Para saber mais sobre a obra de Joanna Wilheim leia os seus livros (clique nas imagens para conhcê-los), ou um texto seu em Artigos relacionados.

domingo, 20 de setembro de 2009

Nancy Greenfield explica

Como me são sempre colocadas questões quanto à possibilidade de esta hipótese que apresento aqui ser especulativa, uma mera divagação de algumas pessoas que resolveram acreditar em histórias cheias de imaginação (que no lugar de fantásticas fadas e duendes colocaram adoráveis gémeos, trigémeos e outros múltiplos) recolhi afirmações de uma pessoa idónea que investiga e trabalha há anos com esta matéria. Pedi à psiquiatra e neurologista Drª Nancy Greenfield, de Maiami FL, que fizesse um comentário que achasse mais pertinente para nós, e aqui está a sua explicação clara e concisa:

“Com base na minha pesquisa e na investigação actual da psicologia tradicional, posso afirmar que o relacionamento entre gémeos é o mais íntimo de todos os relacionamentos humanos. Consequentemente, a experiência de perder um irmão gémeo em qualquer momento ao longo da vida pode ser a mais dolorosa das perdas de relacionamento humano. Costumava-se pensar que a perda de um filho era para uma mãe (pai) a forma mais sofrida de perda. Hoje considera-se que a perda de irmãos gémeos tem condições para ser mais dolorosa. Isso acontece porque a relação entre gémeos é mais próxima, mais íntima e mais entrelaçada (física-, emocional-, psicológica- e espiritualmente) que a relação entre a mãe e seu filho.

É importante dizer que, devido à ligação profunda entre gémeos, a perda de um irmão gémeo, independentemente da idade em que ocorra, pode deixar no sobrevivente marcas para toda a vida. Essas marcas variam e podem afectar a forma como o gémeo sobrevivente se sente a si próprio: inclui questões de auto-estima; o sentimento de que a vida é um caminho seguro ou inseguro; como sente os relacionamentos, se acredita na possibilidade de serem estáveis ou não; assim como outras crenças, expectativas e percepções sobre a sua experiência de vida. Pode haver uma sensação de falta de alguém que devia acompanhar o gémeo sobrevivente ao longo da sua vida, bem como uma sensação de incompletude e profunda solidão. Podem persistir ainda sentimentos de perda não identificada, tristeza, culpa, saudade ou confusão, etc.

Dada esta explicação sobre a profundidade e a intimidade gemelar, quero referir que a minha área de trabalho, conhecida como "psicologia pré- e perinatal" (PPN), acredita que desde a concepção há consciência presente no novo ser.

Acredita também que talvez até 70% de nós, que pensamos ser singulares, podemos na realidade ter sido concebidos como gémeos ou múltiplos, tendo um ou mais dos gémeos morrido durante as primeiras semanas da nossa gestação. Isto é conhecido como o "gémeo morto" ou "o síndrome do gémeo desaparecido".

A pesquisa da PPN sugere então que devido à presença de consciência já no útero a relação gemelar embrionária tem o mesmo nível de intimidade que uma relação de gémeos após o nascimento e durante outros períodos da vida. Portanto, uma perda de um dos gémeos durante a fase embrionária e uma perda que ocorra a qualquer momento durante a gestação, pode ser tão devastadora e dolorosa para o embrião/feto ou pré-nascido sobrevivente como uma perda que ocorra a qualquer momento após o nascimento e ao longo da vida."
Nancy Greenfield, Ph.D., R.C.S.T.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Conferência "Open Space" Wombtwin 2009

Vai ter lugar já nos próximos dias 31 de Outubro e 1 de Novembro em St. Albans, Londres, a 2ª conferência da Wombtwin.com realizada desta vez segundo um modelo "open space". A proposta é de oferecer um espaço de encontro e troca de experiências em que cada participante terá oportunidade de propôr temas, ou aderir aos grupos de trabalho que mais lhe interessarem, e que serão definidos no início de cada dia pelos presentes. Na sexta-feira dia 30 de Outubro haverá uma sessão pública de entrada livre para o público que queira conhecer a temática dos gémeos sobreviventes. O fim-de-semana terá preço de 70 libras incluindo o jantar de sábado.

Para aceder a toda a informação clique aqui.
Para aceder ao podcast em inglês clique aqui.

PROGRAMA

DATA: Sexta 30 de outubro a domingo 1 de Novembro de 2009
LOCAL: St Albans Girls School, Sandridgebury Lane, St Albans, Hertfordshire, AL3 6DB,
PREÇO: Sócios£55, Não-sócios £70

Sexta-feira:
19h30 - 21h30 Conferência aberta ao público em geral

Sábado:
9h30–18h00 Encontro OPEN SPACE
18h00 - 19h00 Cerimónia com Velas
19h00 - 22h00 Jantar Buffet

Domingo:
10h00-11.00 Reunião Geral anual da Wombtwin.com Ltd
11h00-12h30 A JORNADA DA CURA para gémeos sobreviventes
12H30 Almoço de sanduiches
14h00 Encerramneto

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Livro digital já disponível

Concluímos a história da Maria da Luz! "Eu e a minha Gémea". Para já, com a ajuda de Althea Hayton, está à venda on-line em versão digital em inglês: "Me and my Twin", aqui, mas estamos a preparar uma edição de um livro em português em papel cartonado.

A Psicóloga Nancy Greenfield, autora da tese de doutoramento (referida neste blog em bibliografia) onde é estudado o síndrome do gémeo desaparecido do ponto de vista das influências psicológicas no sobrevivente, e a quem agradeço desde já todo o apoio que nos deu, enviou-nos estas palavras:

"O seu livro é lindo e os desenhos da sua filha são muito comoventes. Fez um trabalho fantástico ao honrar a perda precoce de um gémeo desse modo tão verdadeiro, respeitador, delicado e amoroso. As crianças que tiverem passado por essa experiência irão provavelmente identificar-se com os desenhos e encontraram um lugar seguro nessas páginas. Quero exprimir o meu profundo agradecimento à Maria da Luz por partilhar a sua história com tanta generosidade. Acredito que ela será significativa para outras crianças e adultos que tenham tido uma vivência semelhante."
Nancy Greenfield, Ph.D., R.C.S.T.

E aqui um outro comentário de uma colega da Wombtwin.com.

"Mesmo sendo já adulta, e tendo passado anos a tentar curar a perda dos meus trigêmeos, este livro toca-me profundamente, ressoando junto da menina ferida dentro de mim que tudo fez para guardar com ela os seus trigêmeos, mas que seguiram o seu próprio caminho. Ver desenhos de uma criança sobre esta dor muito pessoal é de algum modo imensamente curador e belo - as crianças são honestas e abertas.
Eu não tive consciencia da ausência dos meus irmãos gémeos até muito tarde na vida, e portanto este livro exprime o sofrimento que na infância eu não conseguia de entender em mim. OBRIGADA! Ele é um instrumento valioso para trabalhar com crianças sobre esta dor tão interior e tão real."

Eloise de Hauteclocque, Artista Plástica, Berlim

Espero que gostem e gradeço qualquer comentário que queiram fazer-me chegar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Votação on-line pela teoria wombtwin

Usando os novos modos cibernauticos de agir, Althea Hayton inscreveu a nossa teoria "wombtwin survivors" - sobreviventes de gravidezes gemelares - num dos concursos da Changemakers para ganhar um prémio que ajudará a dar continuidade ao trabalho de investigação e divulgação da associação Wombtwin.com. Consultem aqui a descrição em pormenor da sua proposta, e entre 23 de Novembro e 14 de Dezembro poderão elegê-la no concurso Rethinking Mental Health: Improving Community Wellbeing -ideias inovadoras para repensar a saúde mental, melhorando o bem-estar social.

domingo, 2 de agosto de 2009

Ilusión

Ilusión,

Uma canção de Julieta Venegas cantada com Marisa Monte (na lista de canções deste blog).

Uma vez eu tive uma ilusão E não soube o que fazer Não soube o que fazer Com ela Não soube o que fazer E ela se foi Porque eu a deixei Por que eu a deixei? Não sei Eu só sei que ela se foi Mi corazón desde entonces La llora diario No portão Por ella No supe que hacer Y se me fue Porque la deje¿ Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque não me deixei tentar Vivê-la feliz É a ilusão de que volte O que me faça feliz Faça viver Por ella no supe que hacer Y se me fue Porque la deje¿ Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque não me deixei tentar Vivê-la feliz Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque no me dejo Tratar de hacerla feliz Porque la deje¿ Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue.

E aqui um vídeo de uma outra canção da Julieta... duas Julietas???

terça-feira, 14 de julho de 2009

Nas palavras de Jorge Palma

São dez canções de Jorge Palma onde se pode ler nas entrelinhas, e não só, a sua vivência de gémeo sobrevivente. Obrigada Jorge, pela lucidez de sentimentos e parabéns pela coragem de os gritares ao vento!

Eternamente tu (A DOIS NO VENTRE MATERNO)
O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão, o tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção.
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós, meu amor, o tempo somos nós.
O espaço tem o volume da imaginação, além do nosso horizonte existe outra dimensão.
O espaço foi construído sem princípio nem fim, meu amor, tu cabes dentro de mim.
O meu tesouro és tu, eternamente tu.
Não há passos divergentes para quem se quer encontrar.
A nossa história começa na total escuridão, onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão.
A nossa história é o esforço para alcançar a luz …




(FUSÃO)
Só por existir, só por duvidar, tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar.
Só por ter dois sóis, só por hesitar, fiz a cama na encruzilhada
e chamei casa a esse lugar.
E anda sempre alguém por lá junto à tempestade, onde os pés não têm chão e as mãos perdem a razão.
Só por inventar, só por destruir, tenho as chaves do céu e do inferno...






Encosta-te a mim (SAUDADE)

Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos… Chegada da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver, em nome da terra, no fundo p´ra te merecer, recebe-me bem, não desencantes os meus passos, faz de mim o teu herói…
Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo, o que não vivi, hei-de inventar contigo, sei que não sei às vezes entender o teu olhar mas quero-te bem…
…Vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal…







Uma vez (SEPARAÇÃO)
…Uma vez era o rei e o bobo, separaram-se até mais ver, mas não deixaram de se corresponder.
Uma vez era o belo e o monstro, também esses fizeram planos de nunca mais deixarem de se entender.
Conheço alguém de quem mal me consigo lembrar. Abençoado quem tem quem de vez em quando o venha visitar …







Yogy Pijama (FALTA)

Buscando sem saber bem o quê, perdido como quem não vê, calado como quem não tem resposta para quem o chama, desesperado, como quem por ter medo da desilusão não ama.
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre.
Como uma vela sem mastro, ou um barco sem leme, condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá, ao sabor da corrente …






Finalmente a sós (TRISTEZA)
Antes de teres aberto o bar, antes de teres mirado o rio, eu era alguém ás costas de outro alguém. Trouxeste mais contradições, trouxeste mais opiniões, e agora sou mais outro zé ninguém. Finalmente só, finalmente a sós.
Quando eu já estava a sossegar, quando eu já estava a adormecer, vi-te dançar e a minha paz morreu...
Odeio a luz do teu olhar quando não brilha só pra mim, pensei que fosses um brinquedo meu...





Há tanto tempo espero por ti (FANTASIA)
Há tanto tempo espero por ti na solidão do meu lugar vem aquecer-me a cama, traz flores p’ró jantar.
Sempre habitaste o meu coração, és a razão do meu fervor, mas não te vejo a cara, não sinto o teu calor.
Podes contar ao mundo como eu te procurei, quando eu me for embora, diz que te encontrei.
Mesmo que tu não sejas real, ou sejas quem eu não previ, hei-de inventar-te sempre, hei-de esperar por ti.







Ao meu encontro na estrada (ABANDONO)

Disseste que vinhas e não chegaste, mudaste de planos, ok
Mas isso deitou-me tão abaixo, espero que tenhas pensado bem, estou triste que só eu sei preciso de alguém…
E agora toca a arranjar o buraco que eu tenho no coração…
Pensei tanto em ti que não calculas, de manhã, à tarde e ao anoitecer…







Lobo malvado (CULPA)
Eu fui um lobo malvado, entrei em casa da avozinha e instalei-me na caminha contigo a meu lado.
Depois mostrei-te a cozinha, fiz-te passar um mau bocado com medo de ficar sozinho…
És bem vinda, amor …
Mais tarde soltei a fera, mostrei-te o meu corno penetrante, com ele espetei contigo na rua …




Balada de um estranho

(CONFUSÃO/CULPA)
Há qualquer coisa que não bate certo, há qualquer coisa que deixaste pr’a trás em aberto, qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu, e não podes deixar de sentir que o culpado és tu…
Sentes que perdeste o teu centro e de repente descobres que chegou a hora de olhares para dentro.
Porque há qualquer coisa que não bate certo, qualquer coisa que deixaste para trás em aberto, qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu e não podes deixar de sentir que o culpado és tu…