Womb Twin - Portugal

Gémeos singulares são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória.

HAVERÁ PESSOAS GÉMEAS NASCIDAS SINGULARES QUE SOFREM TODA A SUA VIDA, COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO INICIAL?

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Livro digital já disponível

Concluímos a história da Maria da Luz! "Eu e a minha Gémea". Para já, com a ajuda de Althea Hayton, está à venda on-line em versão digital em inglês: "Me and my Twin", aqui, mas estamos a preparar uma edição de um livro em português em papel cartonado.

A Psicóloga Nancy Greenfield, autora da tese de doutoramento (referida neste blog em bibliografia) onde é estudado o síndrome do gémeo desaparecido do ponto de vista das influências psicológicas no sobrevivente, e a quem agradeço desde já todo o apoio que nos deu, enviou-nos estas palavras:

"O seu livro é lindo e os desenhos da sua filha são muito comoventes. Fez um trabalho fantástico ao honrar a perda precoce de um gémeo desse modo tão verdadeiro, respeitador, delicado e amoroso. As crianças que tiverem passado por essa experiência irão provavelmente identificar-se com os desenhos e encontraram um lugar seguro nessas páginas. Quero exprimir o meu profundo agradecimento à Maria da Luz por partilhar a sua história com tanta generosidade. Acredito que ela será significativa para outras crianças e adultos que tenham tido uma vivência semelhante."
Nancy Greenfield, Ph.D., R.C.S.T.

E aqui um outro comentário de uma colega da Wombtwin.com.

"Mesmo sendo já adulta, e tendo passado anos a tentar curar a perda dos meus trigêmeos, este livro toca-me profundamente, ressoando junto da menina ferida dentro de mim que tudo fez para guardar com ela os seus trigêmeos, mas que seguiram o seu próprio caminho. Ver desenhos de uma criança sobre esta dor muito pessoal é de algum modo imensamente curador e belo - as crianças são honestas e abertas.
Eu não tive consciencia da ausência dos meus irmãos gémeos até muito tarde na vida, e portanto este livro exprime o sofrimento que na infância eu não conseguia de entender em mim. OBRIGADA! Ele é um instrumento valioso para trabalhar com crianças sobre esta dor tão interior e tão real."

Eloise de Hauteclocque, Artista Plástica, Berlim

Espero que gostem e gradeço qualquer comentário que queiram fazer-me chegar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Meu Sósia e Eu

Esta manhã veio parar-me às mãos, numa livraria, o livro Meu Sósia e Eu, da editora Campo das Letras (1999). O título chamou-me a atenção: aos 92 anos o mestre Oscar Niemeyer edita um livro autobiográfico, e opta por destacar no título o binómio dos dois seres que ele sente serem ele! (em vez de usar simplesmente o seu nome, ou algum outro nome que o caracterize).

Este génio da arquitectura que no dia 15 de Dezembro de 2007 fez cem anos, desafiou a arquitetura com linhas sinuosas, extrapolou o modernismo, criou Brasília (junto com Lúcio Costa) e recentemente foi eleito o nono entre os 100 maiores génios vivos.

O livro tem por fim dar a conhecer os diversos ângulos da personalidade de Oscar Niemeyer - o Arquiteto, o Artista, o Escritor, o Criador, o Cidadão, o Amigo; as suas andanças, os seus amigos, a sua familia, as coisas que lhe interessam.

Diz Oscar Niemeyer no prefácio, explicando um pouco melhor quem é, e que tipo de relação tem com este seu sósia:

«Meu sósia vem de longe, de outros continentes, de tempos tão distantes que deles só os livros podem lembrar. Mas vem também de áreas mais próximas, vem de Maricá onde nasceram meus avós (…)
Nada tenho a me queixar deste intruso que dentro de mim existe há anos, e me cerca com seus conselhos.
Mais puro do que eu – desconhece todos os preconceitos da sociedade – ele me sugere coisas impossíveis. Mas é honesto, despensa bens materiais e é leal e generoso, o que facilita essa conversa diária que mantemos.
Gosta de beleza. A mulher o fascina e a natureza o emociona. Muita coisa nos identifica. (…)
Não é difícil levá-lo para os problemas sociais. Seu feitio fraternal facilita.
E assim vamos nós de mão dada, sonhando melhorar o mundo. (…)
Curioso, meu sósia quer ocupar-se de coisas em demasia. Desenhar, fazer esculturas e literatura. Procuro contê-lo, fazendo autocrítica, ouvindo os amigos, lendo muito.Mas ele insiste. Diz que a arquitectura deve estar ligada a todos os assuntos da cultura e lembra como afirmativas de Heidegger e Malraux me foram úteis na defesa de meus projectos. Tudo o que faço tem sua participação e com ele divido o que vocês acharem de bom ou ruim neste livro
.»

Encontrei mais esta frase sua, de uma outra ocasião: “Acho muito bom a pessoa se recolher e ficar pensando em si mesma, conversando com esse ser que tem dentro dela, que é nosso sósia, né? Eu converso com ele a vida inteira.”

O que nos ensina este mestre centenário é de uma simplicidade comovente: com imensa lucidez ele ousa aceitar, acolher e dialogar com aquela outra parte de si próprio, a quem ele chama o seu sósia interior. E mais que isso, ele apresenta-o e louva-o publicamente em diversos momentos, ao ponto de lhe dar o maior protagonismo quando edita um livro com as suas obras e eventos principais, as mais queridas, tudo o que mais o caracteriza como pessoa.

É integrando na nossa vida aquele ou aquela que sentimos ser o nosso sósia dentro de nós, dando-lhe um lugar concreto, um espaço real, acreditando na sua existência e poder, que nos podemos curar da dualidade que está entranhada no nosso ser. É validando os nossos sentimentos perante nós próprios e os outros falando deles a todo o mundo, que nos vamos libertando da dor da perda para então podermos atingir o nosso verdadeiro potencial.