Womb Twin - Portugal

Gémeos singulares são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória.

HAVERÁ PESSOAS GÉMEAS NASCIDAS SINGULARES QUE SOFREM TODA A SUA VIDA, COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO INICIAL?

Mostrar mensagens com a etiqueta sabedoria arcaica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sabedoria arcaica. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Identidade

A identidade é um tema incrivelmente complexo para quem sobreviveu in-útero a perda de um gémeo. A questão põe-se constantemente: Quem sou eu? Serei eu Eu, ou serei o Outro? Serei eu dois? Seremos nós um só?
No caso dos sobreviventes que tiveram um gémeo do sexo oposto para além da indefinição de identidade surgem também as indefinições de género. Porque é que como homem sinto tanta necessidade de me exprimir através da minha energia feminina? ou, de onde me surge tanta energia masculina se sou uma mulher?

Na cultura nativo-americana original os chamados Two Sprits (Dois-Espíritos) também intitulados Twin Sprits (Espíritos-Gémeos) eram indivíduos que apresentavam indefinição de género, quer fosse a nível das características da sua personalidade, dos estilos de vida que escolhiam, da sua opção sexual, ou mesmo a nível dos órgãos genitais.

Conforme a tribo a que pertenciam eles usavam vestes próprias e segundo o que intuitivamente sentiam ser a sua missão eram curandeiros, artistas, profetas, ... Estes indivíduos eram considerados do terceiro género porque não se identificavam nem com as características definidas para os homens nem com as que eram apropriadas para as mulheres. Venerados como extraordinárias fontes de informação sobre a natureza humana, acreditava-se que eles tinham o poder de trazer à sua tribo um maior equilíbrio entre os princípios masculino e feminino.

É interessante observar que para o povo Navajo a história da Criação se desenrola em torno de lendas que incluem numerosos pares de gémeos (entre os Lakota os gémeos eram "wakan" sagrados). Numa das maiores cerimónias dos Cheyenne, a “Dança do sol” que celebra a Nova Vida, eram Two Spirits os líderes do ritual sagrado. Este hino à Nova Vida evidencia a consciência de que a Vida só é possível quando flui a partir das energias mágicas da gemelaridade, aqui entendida como o conceito da dualidade: na vida, no mundo natural, tudo existe em equilíbrio - masculino/feminino, grande/pequeno, luz/escuridão, bom/mau, céu/terra.

Com uma atitude que nutre e abarca todas as coisas dando-lhes protecção e apoio indiscriminados, e uma grande abertura nomeadamente para aceitar e apreciar a complexidade humana, a sabedoria ameríndia acolhia os Twin Spirits ou Two Spirits com reverência e alegria.

Uma ideia que me sugere esta comovente tradição: serão aqueles que perderam irmãos gémeos no útero materno literalmente a morada física de duas ou mais entidades espirituais? e também, terão estas pessoas competências muito próprias, mas pouco exploradas por uma sociedade ocidental que não recebe bem a diversidade e a diferença?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Tradição africana

Entre os Iorubas, uma das maiores tribos africanas, nasce um grande número de gémeos: um em cada 22 a 24 nascimentos, enquanto a média mundial anda em um por cada 85 nascimentos.
O culto dos gémeos dos Iorubas dita que a alma dos gémeos é indivisível. Assim, se uma das crianças morre, eles criam um substituto para o gémeo sobrevivente. Um carpinteiro é incumbido de fazer uma pequena figura de madeira que vai servir de lar à alma da criança falecida. A figura de madeira do gémeo -ibeji- é vestida, enfeitada com jóias, lavada e untada com óleos, e é tratada do mesmo modo que a criança viva, sendo mesmo colocada ao peito.
Quando mais crescida a criança passa a carregar a sua "outra metade" ao pescoço ou à cintura.

Da nossa perspectiva esta tradição, para além de integrar a criança falecida na família, ajuda o gémeo sobrevivente a reconhecer a sua perca, com os benefícios que daí advêm - reconciliar-se com a sua dor, e fazer um luto com consciência.

Ver mais informação relacionada com os rituais africanos aqui.