quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Conferência "Open Space" Wombtwin 2009
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PROGRAMA
DATA: Sexta 30 de outubro a domingo 1 de Novembro de 2009
LOCAL: St Albans Girls School, Sandridgebury Lane, St Albans, Hertfordshire, AL3 6DB,
PREÇO: Sócios£55, Não-sócios £70
Sexta-feira:
19h30 - 21h30 Conferência aberta ao público em geral
Sábado:
9h30–18h00 Encontro OPEN SPACE
18h00 - 19h00 Cerimónia com Velas
19h00 - 22h00 Jantar Buffet
Domingo:
10h00-11.00 Reunião Geral anual da Wombtwin.com Ltd
11h00-12h30 A JORNADA DA CURA para gémeos sobreviventes
12H30 Almoço de sanduiches
14h00 Encerramneto
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Livro digital já disponível
Concluímos a história da Maria da Luz! "Eu e a minha Gémea". Para já, com a ajuda de Althea Hayton, está à venda on-line em versão digital em inglês: "Me and my Twin", aqui, mas estamos a preparar uma edição de um livro em português em papel cartonado.A Psicóloga Nancy Greenfield, autora da tese de doutoramento (referida neste blog em bibliografia) onde é estudado o síndrome do gémeo desaparecido do ponto de vista das influências psicológicas no sobrevivente, e a quem agradeço desde já todo o apoio que nos deu, enviou-nos estas palavras:
"O seu livro é lindo e os desenhos da sua filha são muito comoventes. Fez um trabalho fantástico ao honrar a perda precoce de um gémeo desse modo tão verdadeiro, respeitador, delicado e amoroso. As crianças que tiverem passado por essa experiência irão provavelmente identificar-se com os desenhos e encontraram um lugar seguro nessas páginas. Quero exprimir o meu profundo agradecimento à Maria da Luz por partilhar a sua história com tanta generosidade. Acredito que ela será significativa para outras crianças e adultos que tenham tido uma vivência semelhante."
Nancy Greenfield, Ph.D., R.C.S.T.
E aqui um outro comentário de uma colega da Wombtwin.com.
"Mesmo sendo já adulta, e tendo passado anos a tentar curar a perda dos meus trigêmeos, este livro toca-me profundamente, ressoando junto da menina ferida dentro de mim que tudo fez para guardar com ela os seus trigêmeos, mas que seguiram o seu próprio caminho. Ver desenhos de uma criança sobre esta dor muito pessoal é de algum modo imensamente curador e belo - as crianças são honestas e abertas.
Eu não tive consciencia da ausência dos meus irmãos gémeos até muito tarde na vida, e portanto este livro exprime o sofrimento que na infância eu não conseguia de entender em mim. OBRIGADA! Ele é um instrumento valioso para trabalhar com crianças sobre esta dor tão interior e tão real."
Eloise de Hauteclocque, Artista Plástica, Berlim
Espero que gostem e gradeço qualquer comentário que queiram fazer-me chegar.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Votação on-line pela teoria wombtwin
domingo, 2 de agosto de 2009
Ilusión
Uma canção de Julieta Venegas cantada com Marisa Monte (na lista de canções deste blog).
Uma vez eu tive uma ilusão E não soube o que fazer Não soube o que fazer Com ela Não soube o que fazer E ela se foi Porque eu a deixei Por que eu a deixei? Não sei Eu só sei que ela se foi Mi corazón desde entonces La llora diario No portão Por ella No supe que hacer Y se me fue Porque la deje¿ Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque não me deixei tentar Vivê-la feliz É a ilusão de que volte O que me faça feliz Faça viver Por ella no supe que hacer Y se me fue Porque la deje¿ Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque não me deixei tentar Vivê-la feliz Sei que tudo o que eu queria Deixei tudo o que eu queria Porque no me dejo Tratar de hacerla feliz Porque la deje¿ Por que la deje? No sé Solo sé que se me fue.
E aqui um vídeo de uma outra canção da Julieta... duas Julietas???
terça-feira, 14 de julho de 2009
Nas palavras de Jorge Palma
O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão, o tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção.
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós, meu amor, o tempo somos nós.
O espaço tem o volume da imaginação, além do nosso horizonte existe outra dimensão.
O espaço foi construído sem princípio nem fim, meu amor, tu cabes dentro de mim.
O meu tesouro és tu, eternamente tu.
Não há passos divergentes para quem se quer encontrar.
A nossa história começa na total escuridão, onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão.
A nossa história é o esforço para alcançar a luz …
Só (FUSÃO)
Só por existir, só por duvidar, tenho duas almas em guerra e sei que nenhuma vai ganhar.
Só por ter dois sóis, só por hesitar, fiz a cama na encruzilhada
e chamei casa a esse lugar.
E anda sempre alguém por lá junto à tempestade, onde os pés não têm chão e as mãos perdem a razão.
Só por inventar, só por destruir, tenho as chaves do céu e do inferno...
Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos… Chegada da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver, em nome da terra, no fundo p´ra te merecer, recebe-me bem, não desencantes os meus passos, faz de mim o teu herói…
Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo, o que não vivi, hei-de inventar contigo, sei que não sei às vezes entender o teu olhar mas quero-te bem…
…Vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal…
Uma vez (SEPARAÇÃO)
…Uma vez era o rei e o bobo, separaram-se até mais ver, mas não deixaram de se corresponder.
Uma vez era o belo e o monstro, também esses fizeram planos de nunca mais deixarem de se entender.
Conheço alguém de quem mal me consigo lembrar. Abençoado quem tem quem de vez em quando o venha visitar …
Yogy Pijama (FALTA)
Buscando sem saber bem o quê, perdido como quem não vê, calado como quem não tem resposta para quem o chama, desesperado, como quem por ter medo da desilusão não ama.
Se deixas apagar a chama, estás virado para o desastre.
Como uma vela sem mastro, ou um barco sem leme, condenado a andar à toa conforme o vento lhe dá, ao sabor da corrente …
Finalmente a sós (TRISTEZA)
Antes de teres aberto o bar, antes de teres mirado o rio, eu era alguém ás costas de outro alguém. Trouxeste mais contradições, trouxeste mais opiniões, e agora sou mais outro zé ninguém. Finalmente só, finalmente a sós.
Quando eu já estava a sossegar, quando eu já estava a adormecer, vi-te dançar e a minha paz morreu...
Odeio a luz do teu olhar quando não brilha só pra mim, pensei que fosses um brinquedo meu...
Há tanto tempo espero por ti na solidão do meu lugar vem aquecer-me a cama, traz flores p’ró jantar.
Sempre habitaste o meu coração, és a razão do meu fervor, mas não te vejo a cara, não sinto o teu calor.
Podes contar ao mundo como eu te procurei, quando eu me for embora, diz que te encontrei.
Mesmo que tu não sejas real, ou sejas quem eu não previ, hei-de inventar-te sempre, hei-de esperar por ti.
Ao meu encontro na estrada (ABANDONO)
Disseste que vinhas e não chegaste, mudaste de planos, ok
Mas isso deitou-me tão abaixo, espero que tenhas pensado bem, estou triste que só eu sei preciso de alguém…
E agora toca a arranjar o buraco que eu tenho no coração…
Pensei tanto em ti que não calculas, de manhã, à tarde e ao anoitecer…
Lobo malvado (CULPA)
Eu fui um lobo malvado, entrei em casa da avozinha e instalei-me na caminha contigo a meu lado.
Depois mostrei-te a cozinha, fiz-te passar um mau bocado com medo de ficar sozinho…
És bem vinda, amor …
Mais tarde soltei a fera, mostrei-te o meu corno penetrante, com ele espetei contigo na rua …
Balada de um estranho
(CONFUSÃO/CULPA)Há qualquer coisa que não bate certo, há qualquer coisa que deixaste pr’a trás em aberto, qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu, e não podes deixar de sentir que o culpado és tu…
Sentes que perdeste o teu centro e de repente descobres que chegou a hora de olhares para dentro.
Porque há qualquer coisa que não bate certo, qualquer coisa que deixaste para trás em aberto, qualquer coisa que te impede de te veres ao espelho nu e não podes deixar de sentir que o culpado és tu…
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Eu sou Eu
Experimentei muitas terapias, e nunca entendi o que se passava comigo. Não havia ninguém que me explicasse porque eu não aguentava a proximidade, porque não queria nenhuma relação, porque não conseguia lidar com as pessoas, pelo que também não tinha amigos. Não havia quem me pudesse ajudar a pôr todas as minhas facetas sob um denominador comum. A minha grande dificuldade era de me encontrar a mim própria no meio de todas aquelas facetas de mim mesma.
Em pequena pensava muitas vezes que tinha uma irmã gémea. Por vezes até sonhava com ela. Naquela altura imaginava que os meus pais tinham dado uma das gémeas a criar a outra família, ou então se eu teria sido adoptada pelos meus pais, enquanto a minha irmã gémea tinha sido entregue a outras pessoas. Quando cresci compreendi que isso nunca poderia ter acontecido, os meus pais não eram o tipo de pessoas.
Com o passar dos anos deixei de pensar nestas coisas; ia vivendo a minha vida com todas as suas especificidades, as dificuldades e a dor constante. Passei por muitas terapias, li muitos livros de auto-ajuda, procurei respostas espirituais, que nunca me satisfaziam profundamente. Por vezes melhorava, algo se alterava nas dificuldades que sentia, mas nunca me chegava a sentir realmente bem.
Até que encontrei o tema dos gémeos sobreviventes. Nessa altura pôs-se em marcha em mim uma onda que ainda hoje tenho dificuldade em descrever. Finalmente tinha encontrado uma resposta para todos os meus problemas, uma resposta a todas as minhas dúvidas. As emoções que eu, já com 50 anos de idade, senti naquela altura tiveram uma dimensão indescritível.
Nessa altura soube que tinha tido uma irmã no ventre da minha mãe, o que ficou confirmado por cartas que encontrei depois dos meus pais já terem falecido. Aos poucos comecei a integrar a minha irmã, e o seu desaparecimento na minha vida. Não foi fácil. Primeiro veio a tristeza e a raiva, depois a culpa, e depois mais raiva e o desespero; foi uma fase de caos emocional.
Fiz muitos exercícios para integrar todos estas vivências, aconselhados pelos diversos terapeutas, mas havia algo que continuava a não bater certo. Por exemplo no exercício em que temos que pegar numa almofada e senti-la como se fosse o nosso gémeo, eu sentia sempre uma certa irritabilidade. Do mesmo modo, quando me pediam para imaginar a minha irmã gémea perto de mim, para lhe dar a conhecer a minha vida com todos os pormenores, foi-me impossível fazê-lo durante mais do que dois dias, sob risco de entrar numa depressão profunda. Depois de conversas várias, também no fórum da Evelyne Steinemann, chegou um momento em que tomei consciência de que afinal havia lá mais alguém! Passei então a entender que tinha tido duas irmãs comigo no ventre da minha mãe, e logo me senti melhor. O facto de eu não me conseguir decidir quanto ao nome a dar à minha irmã gémea (estava sempre indecisa entre dois) também encaixou perfeitamente. Agora cada uma tinha o seu nome. E pensei que finalmente estava tudo bem.
Mas ao fim de algum tempo voltou a levantar-se um desconforto. Tinha a dúvida se uma das irmãs não seria afinal do sexo masculino. Não sei dizer como me surgiu esta ideia, foi um sentimento que apareceu em mim. Também o facto de eu ter um lado bastante masculino em mim me levaram a pensar se não teria tido um irmão gémeo. Tudo isto não aconteceu de repente, foram cerca de dois anos durante os quais eu fui ouvindo os meus sentimentos e sentindo os sinais.
Durante algum tempo deixei-me ficar nessa "confusão" de não saber se teria tido um irmão e uma irmã gémeas ou não, pois não me sentia bem com a ideia de transformar assim sem mais nem menos uma das irmãs em irmão. Até que numa constelação familiar vi que afinal éramos quadrigémeos. Aí sim, tudo fez sentido. Foi uma sensação maravilhosa, eu com as minhas duas irmãs e o meu irmão gémeo.
Finalmente compreendi porque tenho a estranha mania de contar sempre até quatro: 1-2-3-4, 1-2-3-4. Sempre fiz isto quando não conseguia dormir, ou quando estava sob stress. É uma maneira de me acalmar... estaria a contar-nos a nós quatro!
Com a consciência da existência deles senti-me realmente bem.
Passei a integrar os meus múltiplos na minha vida e era como se eu já não os sentisse à minha volta, era como se eu tivesse passado a representar-nos a todos os quatro. Nessa altura eu dizia muitas vezes: eu sou quatro. Eu tinha quatro profissões em simultâneo, e sentia-me bem exercendo-as a todas, como se estivesse a viver as suas vidas em paralelo com a minha.
Até que um dia me apercebi de que não podia ser assim: eu não sou quatro, eu sou uma só pessoa. EU SOU SIMPLESMENTE EU!!
Isto ainda não foi assim há tanto tempo atrás. Eu estava a ler um livro que dizia que cada pessoa é um ser único e incomparável e que cada um deve viver a sua vida do modo que melhor lhe convier; e que cada ser humano que nasce neste planeta vem ao mundo com uma missão muito própria. Foi aí que se fez um clique em mim. Foi um momento muito bonito em que percebi que Eu sou eu!
Dos meus quadrigémeos herdei qualidades que me caracterizam a mim, e agradeço-lhes muito por isso porque daí me vem a versatilidade. Mas não deixo de ser EU. Eu não estou a representar os meus irmãos gémeos, porque eles estão no outro mundo. Esse é o seu lugar e é lá que eles estão bem. Mas eles só podem ficar em paz quando eu me encontrar na minha vida neste mundo. E só sabendo que EU SOU EU é que eu posso estar realmente a viver a minha vida."
Nana, 52 anos
Ergo-terapeuta, tradutora, vendedora imobiliária, dona de casa.
Trabalho com gémeos solitários em Barcelona
"O tema dos gémeos mortos e dos gémeos sobreviventes é pouco conhecido pelo público e ignorado no mundo terapêutico. Esta falta de reconhecimento causa muito sofrimento às pessoas afectadas. Sentimentos persistentes de solidão, tristeza, culpa e anseio por algo que falta podem ter aí a sua origem." A necessidade de divulgar informações básicas sobre factos e consequências biológicas na vida dos gémeos solitários levaram Peter Bourquin a criar um espaço próprio no seu site de constelações familiares. Este terapeuta de abordagem gestalt integral tem, devido à sua história pessoal, um especial interesse na questão dos gémeos sobreviventes.Peter Bourquin oferece duas vezes por ano, uma oficina exclusiva para aqueles que sabem ou sentem que iniciaram a sua viagem para a vida acompanhados de irmãos gémeos ou múltiplos, e que procuram formas de cura. Para participar, é necessária uma entrevista prévia. As próximas datas agendadas são: 10/12 outubro 2009 e 23-25 abril 2010 (Facilidadores: Peter Bourquin e Carmen Cortés)