Womb Twin - Portugal

Gémeos singulares são pessoas que partilharam parte da sua vida intra-uterina (na maioria das vezes apenas umas semanas) com um ou mais irmãos ou irmãs gémeos idênticos ou fraternos que não chegaram a nascer. O segredo mais bem guardado até hoje é que o pequeno embrião já tem consciência, já guarda memória.

HAVERÁ PESSOAS GÉMEAS NASCIDAS SINGULARES QUE SOFREM TODA A SUA VIDA, COMO CONSEQUÊNCIA DESSA PERDA DO SEU COMPANHEIRO INICIAL?

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Grito VI - Estou tão triste...

O meu coração sente-se infinitamente triste, abandonado, sozinho e assustado. Estou de luto pelo pequeno embrião que me acompanhou no início quando eu também era apenas um embrião; que se parecia comigo e tinha o meu ADN.

Cada vez que estou na mó de cima vem de novo a culpa, que não me permite ser bem sucedido, e feliz. Porque eu não me consigo perdoar por ter vivido e ele não.
É como se eu precisasse dessa dor antiga, como se quisesse sofrê-la para me reencontrar com a minha outra metade.
E é fácil relembrá-la, basta-me imaginar que alguém que eu amo me poderia deixar, para cair de novo naquela aflição, que eu mal a consigo suportar, mas que me conduz a um terreno conhecido. É lá que me sinto novamente perto do meu querido amigo do coração. Por isso volto sempre lá, à minha dor, regularmente, sempre outra vez.

Nunca me poderei libertar desta minha história antiga, isso nunca poderá acontecer, nunca, ela pertence-me, faz parte de mim, é o que eu sou. Mas se poder olhá-la de frente talvez fique mais aliviado. Se entender o que se passa comigo posso desculpar-me de todo este sofrimento, posso tentar esquecer a dor e guardar apenas a oportunidade de não ter sido gerado sozinho.

Grito V - Olhem para mim!!!

Não suporto que não me vejam, que não me adorem, que não me admirem. Porque assim não vêem, não amam nem admiram o pequeno embrião que me acompanhou no início, quando eu também era apenas um embrião; que se parecia comigo e tinha o meu ADN.

Para vê-lo, para ver a minha outra metade, só preciso de olhar-me ao espelho. Eu e minha imagem no espelho somos inseparáveis, juntos somos um só, nós os dois. Amo-o e admiro-o tanto que quero que todos saibam que ele é fantástico (isto é, que eu sou fantástico). Quando os meus amigos não me acham o máximo, se não me sinto querido e protegido, vem aquele peso, aquela vergonha, como se eu não tivesse o direito de viver. Porque no meu íntimo eu não me conformo de não ter conseguido ficar com o meu querido Outro Eu. É um terrível sentimento de culpa, mas também de medo, de pânico mesmo, de não conseguir sobreviver sozinho; por vezes preferia mesmo estar morto como a minha "outra metade".

Nunca me poderei libertar desta minha história antiga, isso nunca poderá acontecer, nunca, ela pertence-me, faz parte de mim, é o que eu sou. Mas se poder olhá-la de frente talvez fique mais aliviado. Se entender o que se passa comigo posso desculpar-me de todo este sofrimento, posso tentar esquecer a dor e guardar apenas a oportunidade de não ter sido gerado sozinho.

domingo, 18 de julho de 2010

3º Aniversário da WombTwin.com

Comemorou-se ontem o 3º Aniversário da Associação WombTwin. Parabéns!!!

A história da nossa associação mãe começa em 2002, quando Althea Hayton se apercebe de que durante a sua gestação havia mais alguém com ela. Desde então, no seu caminho de auto-descoberta Althea aprende muito acerca das suas próprias reacções psicológicas resultantes da perda pré-natal de um embrião, seu gémeo. Começando a questionar-se, em primeiro lugar, se haveriam outras pessoas que como ela perderam embriões gémeos antes de nascer, e depois se essas pessoas também teriam experiências e vivências semelhantes à sua, Althea dá deste modo início à sua pesquisa.

Em 2003 cria o primeiro de muitos questionários, que coloca on-line num site criado para o efeito, através do qual começa a trocar e-mails com gémeos nascidos singulares de todo o mundo. Depois apercebe-se que por cada par de gémeos existem dez gémeos nascidos sozinhos (ou seja, pessoas cujo irmão, irmã ou irmãos gémeos morreram durante a gravidez ou próximo do nascimento). A frequência com que ocorre esta situação dá-lhe que pensar, de modo que Althea decide procurar formas de identificar e ajudar essas pessoas - porque ela sabe que elas precisam de ajuda; isto torna-se a missão da sua vida.

Em Abril de 2007, Althea recebe um prémio da Unltd. Millennium, em Londres, que no dia 17 de julho de 2007 lhe permite criar a associação sem fins lucrativos WombTwin.com .
Um ano depois, em Junho de 2008, realiza-se em Londres a primeira conferência WombTwin.
Aquando do segundo aniversário em Julho de 2009, é publicada uma antologia de artigos sobre gémeos singulares, e uma colecção de histórias escritas pelos próprios gémeos sobreviventes.
Althea atinge por essa altura o número de 500 questionários preenchidos por pessoas dos quatro cantos do mundo, que entrega ao Departamento de Estatística da sua Universidade local para serem analisados. Com base na análise dessa pesquisa publica então o perfil psicológico do gémeo nascido singular. Ainda nesse ano em Outubro tem lugar em St Albans, Londres, o primeiro evento Open Space e Conferência WombTwin.
Para continuar a difundir a sua mensagem de cura Althea está agora a escrever um livro onde vai registrar o resultado dos últimos sete anos que dedicou à sua investigação, utilizando toda
a informação que retirou de histórias e questionários que lhe foram sendo enviados por email de centenas de pessoas que a contactáram directamente. Com o título "Womb Twin Survivors: The Lost Twin in the dream of the Womb", este livro será publicado pela Wren Publicações a 4 de Janeiro de 2011.

Actualmente a Associação WombTwin.com conta com 23 membros europeus, e 60 associados residentes noutras partes do mundo, principalmente nos E.U.A. William Bingley, em tempos Diretor Jurídico da MIND, ele mesmo também um gémeo, é patrono da WombTwin.
A presença da WombTwin na web está a expandir-se cada vez mais: há um novo site, criado por Kevin Beynon, onde é possível aceder a várias páginas editadas por pessoas por todo o mundo. A newsletter GEMINI VOICES, entregue por e-mail para 172 pessoas por mês, contém as últimas notícias de eventos e desenvolvimentos da associação e também do projecto de Althea Hayton. A WombTwin.com Ltd tem uma página no Facebook, e há também uma página no Twitter. Foi criado um fórum no Yahoo especialmente para os membros WombTwin. O site tem uma loja que vende artigos com o logótipo WombTwin, hoje amplamente reconhecido como um sinal de que a informação, acerca do que são e como é possível dar apoio e ajudar os gémeos singulares, está disponível.

Os gémeos nascidos singulares já não precisam de sentir-se diferentes, sozinhos e incompreendidos. Há ajuda disponível. Acreditem: -Não estão loucos!, são simplesmente normais sobreviventes de gravidezes gemelares!

(relato gentilmente cedido por Althea Hayton)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Once a twin, always a twin...

Once a twin, always a twin - quem foi gémeo, será gémeo para sempre; é uma expressão do Dr. Raymond W. Brandt o fundador da organização americana "Twinless Twins" (ver aqui) de apoio a pessoas que perderam os seus irmãos gémeos em qualquer idade.

Neste pequeno excerto de um concurso canadiano vemos uma dupla de bailarinas gémeas, que concorreram com uma peça em que festejam a sua relação gemelar. Mas o mais fascinante aqui é a reacção dos jurados, e nomeadamente do último jurado que quase não consegue falar de emoção. Ele diz que o seu filho é gémeo sobrevivente do síndrome do gémeo desaparecido (vanishing twin sindrome) mas o que ele nos mostra é que quem parece ter perdido um companheiro ou uma companheira de início de vida é antes de mais ele próprio!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Conferência APPPAH 2010

A associação para a psicologia e a saúde pré- e peri-natal, APPPAH, sediada em Forestville, CA nos EUA, tem já uma longa história de 25 anos para contar. Nos próximos dias 11 a 14 de Novembro irá realizar-se mais uma Conferência Internacional, a XV, sob o título: "Abraçando a Ciência da Psicologia Pré-natal e do Nascimento: o que sabemos e como obtivemos esse conhecimento". Ou seja, o Congresso pretende dar ênfase à importância da pesquisa nesta área científica de ponta - a psicologia e a saúde pré- e peri-natal.

Althea Hayton, a fundadora da Wombtwin.com estará presente, pela primeira vez, entre os ilustres autores e investigadores de renome mundial, a apresentar o seu trabalho de investigação realizado nomeadamente no âmbito da observação dos inúmeros contactos que tem feito através do site da wombtin.com (ver aqui o programa - dia 12 às 10h15).
Parabéns e boa sorte para a sua apresentação.

terça-feira, 15 de junho de 2010

O contacto corporal com o Outro

Dentro do útero vive-se num mundo não-verbal, não há palavras, só há emoções e toque.
Para além de muito simbiótica (o gémeo sente intuitivamente o que o seu irmão sente, ele não pode evitar essa percepção), a vivência intra-uterina que os gémeos experimentam é, para além de espiritual, sobretudo corporal. O toque, o contacto físico com o seu amigo do início de vida são-lhe tão familiares, dão-lhe segurança e conforto. No início ambos se sentem unidos como se fossem um só Ser. O vínculo entre eles é de tal proximidade... , não têm como entender a diferença entre si... é uma intimidade difícil de descrever.




Desde o seu nascimento, e à medida que crescem, os bebés gémeos vão tomando consciência dos seus limites corporais, vão distinguindo aquilo que é o seu corpo do que é o corpo do seu irmão ou irmã, vão se tornando indivíduos separados um do outro. Mas mesmo que a vida e a distância os separe, a intensidade do seu vínculo de amor fraternal mantém-se, assim como a sua história de uma ligação inicial de grande intimidade. Aqui uma mulher descreve a relação com a sua irmã num testemunho muito bonito dessa cumplicidade. Outro testemunho na primeira pessoa, que fala da saudade de contacto inclusive corporal, é de uma rapariga que perdeu a sua gémea já em adolescente, ver aqui.



E os gémeos singulares?


Guardando também a memória viva do conforto no contacto corporal com o Outro, eles não tiveram a hipótese de descodificar e integrar essas sensações na infância, (ver aqui um exemplo comovente) eles não sabem de onde vêm esses impulsos...


A vivência pré-natal influencia a vida presente ao nível das relações sociais, da vida profissional e com certeza também da vida sexual. Profundamente amorosa a relação entre gémeos não tem um cariz sexual, no entanto, na vida fora do útero, a relação sexual é um dos modos de relacionamento humano que se aproxima muito deste nível de intimidade entre dois Seres.


Para os sobreviventes de uma gestação gemelar a procura do parceiro sexual poderá estar impregnada da tentativa de resgatar esta vivência remota, tão longínqua quanto presente - a unidade com o Outro. A expressão dessa sabedoria corporal interna pode assim assumir a forma de homossexualidade, como uma possibilidade de recuperar a sensação da relação corporal com um gémeo do mesmo sexo.


A traumática perda de um gémeo nas primeiras semanas de gestação pode influenciar as escolhas e orientação sexual do sobrevivente, levando-o a procurar ligar-se àquela pessoa que melhor satisfizer a sua necessidade de recriar o tipo de intimidade que o seu corpo recorda do tempo em que era apenas um pequeno embrião.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Dia Mundial da Criança

Hoje festeja-se o dia da criança, e muitas são as crianças que se sentem mais olhadas pelos adultos, mais mimadas. E este é um miminho para aqueles meninos que vivem com uma determinada tristeza no seu coração, que não conseguem identificar.

Sabendo como sentem os gémeos que sobrevivem à perda do seu irmão ou irmã no ventre materno, nós podemos ajudar esses meninos.
Vamos informar principalmente os pais e os professores de que existe esta possibilidade, para que eles próprios possam compreender o porquê das crianças sentirem aquilo que sentem.
É a partir desse conhecimento que a vivência da perda do irmão gémeo desaparecido pode ser integrada. Durante esse processo de tomada de consciência, que é um processo de luto e pode levar bastante tempo, os pais e cuidadores podem ajudar dando simplesmente um apoio presente e amoroso, disposto a ouvir e acolher tudo o que a criança tiver necessidade de dizer ou exprimir.
Estas crianças tiveram realmente uma vivência pré-natal especial: elas nasceram com uma experiência de perda do mais íntimo, mais próximo e mais entrelaçado (física-, emocional-, psicológica- e espiritualmente) de todos os relacionamentos humanos - o relacionamento gemelar.